quarta-feira, 25 de setembro de 2013

CURAÇAO E O AZUL QUE CORRÓI MINHAS LEMBRANÇAS

Uma das maravilhas de sobrevoar Curaçao é a vista impactante que se pode ter da cor de suas águas desde lá do alto. Um campo de força azul turquesa demarca o território de suas férias, como se isolasse a ilha do mundo, que continua seu curso lá fora. As águas calmas e cristalinas ditam o ritmo de seus próximos dias no Caribe e mantêm a ilha nitidamente apartada da escuridão das águas profundas. Um distanciamento que cai bem para quem apenas precisa de uns dias no paraíso.
Quando se toca o solo, vê-se que o azul dá o tom, mas o colorido de Curaçao está espalhado por toda a ilha. Os detalhes se revelam nas cores caribenhas e contornos de sua arquitetura, visivelmente herdada dos traços holandeses. Mas ao final da viagem, serão mesmo as suas águas azuis turquesas, contrastadas com uma mudança abrupta de tonalidade quando se distanciam da costa, que corroerão seus pensamentos saudosistas, assim como corroeram seu entorno rochoso, por anos a fio.


Willemstad - Punda
Sei disso. Há muitos anos Curaçao fez parte de minha primeira e tão sonhada viagem internacional. Na época, eu estava aflorando para a vida. Depois de construir e lapidar meu futuro, o desejo de ver a ilha por outro ângulo estava ainda em meus planos.
Deu certo. Chinelo nos pés, nada para fazer e muito com o que se maravilhar. Deveriam ser: dias sem planos, caminhos sem rumos e pensamentos soltos. E assim se fez.
Blue Bay Beach
Havia espaços, detalhes, surpresas a desbravar delicadamente, fosse através das praias mais distantes do lado Oeste da Ilha (as mais belas) ou apenas através de suas casas de muitas cores na capital Willemstad, que ainda reluzem quando golpeadas pelo sol. As matizes dos meus tempos de agora me deram um olhar mais maduro sobre tudo.
Inclusive sobre sua história. Descoberta pelos espanhóis em suas explorações do Novo Mundo no ano anterior ao descobrimento do Brasil – 1499 – a ilha foi frequentada também por portugueses e holandeses. Os ibéricos não viram vantagens por não encontrarem nela ouro para suas pretensões, e não se alongaram mais do que eu me alongaria em uma daquelas praias... 
Os portugueses foram os responsáveis pelo sugestivo nome da ilha. Ilha da Curaçao era onde se praticava a cura do enfermos escravos africanos, acometidos por escorbuto, que nela eram tratados com doses de vitamina C, obtida pela laranja que ainda hoje é a essência de seu famoso Licor: O Curaçao Blue. Desde que a Companhia das Índias Ocidentais a reclamou como sua, em 1634, a difícil pronúncia pelos holandeses fez com que o nome tomasse a sonoridade atual. Se isso é lenda apenas ou verdade, não sei. Mas soa como um detalhe interessante.

Fábrica do Curaçao Blue


Curaçao Blue
De suas fazendas conhecidas como plantations de cana de açúcar, não há tantos vestígios. Quem conhece a história, ao transitar por suas estradas bem conservadas, vai tentar imaginar onde e como foi que as Antilhas Holandesas (Aruba, Bonaire e Saint Maarten fazem parte deste rol) conseguiram dominar o comércio e derrocar o domínio do Brasil. Há muitas fazendas para se visitar, assim como na Ilha há muitos Museus que contam as histórias dos ancestrais que nela viviam antes de toda essa parafernália – os índios Arawaki. O domínio holandês do tráfico de escravos africanos deixou um rico legado cultural e linguístico para a ilha. Em Curaçao, assim como em sua vizinha Aruba, fala-se inglês, espanhol, holandês e papiamento: uma mistura do espanhol, com o holandês, dialetos africanos e o português.
Mas o domínio holandês ainda está presente em suas ruas e praias. Talvez ainda a sintam sua e estão à vontade com isso. Uma filial tropical de seu país. Curaçao se tornou um país autônomo desde 2010, mas mantém seus laços estreitos, pois mesmo autônomo, ainda pertence ao Reino dos Países Baixos.
A aridez da ilha, enfeitada pelas iguanas que atravessam despretensiosamente seus asfaltos bem construídos e escaldantes, dariam o tom do deserto. Não fosse pela certeza de que se está no Caribe, o seu azul seria apenas uma miragem.


Caminhos áridos de Curaçao
O ritmo caribenho, a alegria das pessoas e a busca pelas praias de cores espetaculares, fazem-nos saber o tempo todo que Curaçao tem muito de todo o Caribe, mas como toda ilha, está repleta de particularidades. Uma delas é que seu litoral, apesar de suas proporções, não é feito de muitas praias. Suas encostas rochosas são mais evidentes. Por isso mesmo, há algo diferente em Curaçao: a existência de praias particulares (praias de Hotéis ou não, como a de Blue Bay) e praias que tiveram que ser parcialmente construídas por mãos humanas, com areias trazidas de fora. No fim das contas, ficaram boas também. E valem ser conhecidas, mas o melhor de Curaçao está no que a natureza já havia se incumbido de fazer. Aliás, é imperativo que se esteja de carro na ilha para que tudo seja explorado da melhor maneira possível. 
      A ilha é dividida entre a sua porção leste, bem habitada e com pinta de bem organizada, e a porção oeste, onde as belezas naturais se evidenciam significativamente. Circula-se facilmente pela Capital Willemstad, pois há facilidade de estacionamento para que se explore o seu Centro charmoso, conhecido por Punda. A região é muito fotogênica, estampando os cartões postais de Curaçao. Por ali, há muitas lojas e a área é de livre comércio. E não se pode deixar de conhecer Waterfront, com ótima culinária.

Willemstad - Punda


Waterfront - restaurante
As pontes que ligam um e outro lado de Curaçao são também intrigantes. Uma delas, a Queen Juliana, ergue-se imponente no Porto principal (St Anna’s Bay) e presenteia os turistas com uma vista magnífica lá do alto, dos ângulos de Punda, Otrobanda e Schottegat. A outra é a “Ponte de Pinguela Rainha Emma”, onde os pedestres podem atravessar tranquilamente, no nível do mar, até que soe um apito indicando que a ponte irá se abrir para que alguma embarcação passe. Os caminhos se fecham, quem está em cima espera, e quem está de fora acha uma maravilha esperar, fotografar e filmar.


Ponte sobre barcos

Vista da ponta, entre Otrobanda e Punda
Do lado melhor habitado se encontram a famosa praia do Seaquarium, a praia de Jean Thiel, e outras montadinhas para os turistas aproveitarem o melhor do mar azul. Mas o oeste da ilha, ou seja, o lado oposto, foi o que mais nos encantou. Explorar Curaçao é uma experiência incrível, dessas que renovam qualquer amor, que ajudam a curar feridas e que te recompõem.
Praias montadas do Seaquarium

Linda vista

Seaquarium
Anda-se um bom trecho para se chegar às melhores praias. Quanto mais se distancia do centro, os caminhos vão ficando mais desertos. Atingir praias como Kennepa Gandi é uma expectativa muito bem correspondida.


Kennepa Gandi vista do mirante
O visual de seu mirante e o vislumbre de sua simplicidade, lá do alto, prometem muito, mas menos do que de fato se consegue quando se passa o dia nela. Esta, que é a praia pública mais linda da ilha, faz com que se experimente sensações diferentes ao longo do dia, assim como quem acompanha as mudanças do sol ao longo das horas. Doar nosso tempo para prestar atenção a esses detalhes só é possível quando a dimensão do tempo perde o sentido e se torna um detalhe divagando como barquinho na imensidão do oceano.


Kennepa Gandi

Águas florescentes de Kennepa Gandi

Fim de tarde do mirante
A paisagem e a cor da água em Cas Abou, uma outra praia arrebatadora com sua pedra que parece flutuar sobre as águas, convencem que Curaçao é algo bem próximo do paraíso particular que se ousou buscar ao sair de casa. Aliás, Cas Abou é uma praia pela qual se paga para entrar (mas é bem baratinho), assim como Porto Marie. Essa, menos selvagem, mas muito bela também, convence que o mar do Caribe é absolutamente necessário, dentro de sua trivialidade, para as almas cansadas, nem que seja uma vez na vida.


Cas Abou

Tons diferentes de Curaçao

Águas muito claras

A pedra de Cas Abou
    Curaçao me arrebatou. Passar o dia alisando o mar azul, entregando-se a ele sem coragem de sair da água, maravilhando-me com a cor fluorescente e a luminosidade que o sol lhe dava, não me cansou nenhuma vez. Era como estar ali para experimentar de volta a vida da qual eu havia me distanciado. Canto de pássaros, nenhum som invasivo de balbúrdia na praia, apenas muita discrição e a água acalmando todos os meus sentidos. Curaçao deve mesmo ter sido feita para amansar os corações escravizados em suas rotinas. Particularmente, o seu real significado. 


Porto Marie

Porto Marie e seus tons de azul

Porto Marie
O azul vai por muito tempo ainda lamber os meus pés cansados. O azul que apascenta nossos dias e deixa tudo em nosso mundo também mais azul. Adormecer aos som dos pássaros que revoam minhas lembranças, ainda estendida na areia, não será impossível quando eu fechar os olhos em qualquer lugar que esteja.
Não tenho uma razão para gostar tanto de Curaçao, mas várias. A imagem do Caribe ficando para trás, com sua redoma azul com a qual me protegi ao longo de uma semana, não foi tão fácil de encarar quanto em nossa chegada. Dizer adeus é um processo diário e necessário. Chegar e partir. O que me consola é que saí com a sensação de ter lavado a alma com a água mais turquesa que o Caribe já me presenteou. Pelo menos naquele momento, com a sede que eu estava de viver daquele jeito...

terça-feira, 27 de agosto de 2013

PROVENCE, PURA POESIA FRANCESA

      Se há um lugar em que se passou como se atravessa um sonho, em que se transitou como se o amanhã fosse mais distante, em que os versos tomaram forma, este lugar se chama Provence. Até no nome, prolonga-se o sotaque francês para que a palavra não se dissolva assim como se dissolvem os sonhos. Ainda assim, por mais que eu tente, este lugar permanece indescritível e intacto para mim.

Janela na cidadezinha de Gordes

O romantismo da Provence

Muita lavanda
      Não se delimita a Provence com exatidão em medidas geográficas. É uma denominação para um antigo condado que hoje corresponde a uma grande parte administrativa da França. A verdadeira Provence delimita-se, outrossim, por sua atmosfera única e impossível de não ser reconhecida tão logo se pisa nela. Ela se desenha no sudeste da França, nas cercanias do Vale do Rio Ródano, até a margem do Rio Var. Prolongando-se até Nice, na Riviera Francesa, dá-se ao luxo de ser banhada pelas águas do Mediterrâneo e timidamente também chegar aos pés dos Alpes. O meses entre Junho e Agosto são uma boa época para ver os campos floridos.
     Mais importante do que saber a sua localização é entender que a Provence é uma parte da França em que os tempos medievais, enfeitados pelos campos de lavandas, pelo aroma no ar impregnado em nossas entranhas, juntam-se ao ruralismo bucólico, à frescura das frutas recém colhidas, à brandura das manhãs com vento. As ervas e a chamativa culinária da região desafiam nosso paladar e tudo o que sabíamos sobre viver bem.
    O nude e o opaco dos vilarejos são o fundo ideal para o colorido que se apresenta em seus extras. São a harmonia bruta e total, folha em branco para o rascunho que o homem e a natureza lapidaram em suas curvas. Invasores romanos e bárbaros deram forma à arquitetura da região. E parece que o tempo na Provence acontece ainda em outra dimensão.

Provence - Gordes

Delícias da Provence
       Tarefa difícil essa de tentar descrever o impossível. 
      Pegar o carro e serpentear pelas estradas encolhidas entre as muitas cidadezinhas e seus vilarejos não chega a ser uma aventura. Torna-se, por delicadeza, uma das coisas mais sutis que se pode fazer na vida. Sem exageros. Pode-se escolher por onde se embrenhar sem se arrepender do que ficou para trás. Já se estará ocupado o suficiente com tanta beleza em todos os lados do caminho. Por mais parecidas que sejam umas às outras, cada cidade representa uma experiência única. São cerca de 84 delas brincando de se esconder no pedaço de chão a se desbravar. Há muito o que se fazer na Provence, dependendo da sua localização. Mas nada se compara a se perder por ela.

Caminhos da Provence
       Trafegando desde Avignon, tínhamos muitos caminhos a seguir. Mas o que escolhemos nos levou a um rumo de êxtase e felicidade. Logo no início do trajeto, a Provence já se anunciava. Passamos por feiras às margens do percurso, até alcançarmos o Museu da Lavanda, pequenininho, mas interessante. E cheio desses mimos floridos feitos de lavanda, que entorpecem de imediato pela sutileza com que são feitos.

Mimos feitos de lavanda
     Chegando a Gordes, uma cidadezinha murada minúscula esculpida na montanha, foi que vi o quanto eu havia sido generosa com o roteiro da viagem. Gordes seria quase uma miragem, se eu não tivesse entrado nela e desfrutado de suas delícias provençais.

Linda vista de Gordes
        Há momentos em que se pensa que não se chegará a destino algum, nem se encontrará o caminho de volta. Mas estamos em tempos de GPS. Uma pena! Isso, de fato não seria um problema àquela altura. As cidades e seus adjetivos, todo o trajeto, o cultivo das uvas que dariam corpo ao próximo vinho, os girassóis... tudo, tudo é tão charmoso que chegar é um mero detalhe. A Provence vive da delicadeza do tempo que demora.
          O ponto alto foi a Abadie de Senánque, cerca de 6km de Gordes. No meio do nada, em estradas estreitas, avista-se ao longe os campos de lavanda desfilando e dançando ao som do vento. O perfume e a variação de luz na imensidão púrpura são sensações que extrapolam os sentidos. É poesia que não cabe em rimas. Literatura provençal dos meus tempos de agora.

Campos de lavanda em Abadie de Senánque

Abadie de Senánque

Lavandas
        Cidades como Bonnieux, Lourmarin, Coucuron foram surpresas que nos demos ao longo da estrada. Para além dos caminhos que se atravessa, o bom da Provence é se deixar ficar. Não ter mesmo rumo, nem pressa. É viver um dia como se fosse uma vida. É não querer ver o tempo passar. De fato, ele não parece ter passado por lá.

Lourmarin

Lourmarin

Cucuron
          Os campos de lavanda não são mais apenas brumas espessas em meus sonhos de antigamente. São parte da minha história. São sonhos que eu pude tocar. Chegar a Aix-en-Provence, tendo percorrido cerca de 110Km, foi como fazer o caminho inverso de quando queremos alcançar logo o destino. Não queríamos, simplesmente, que a estrada corresse. Desdenhar o que ficou para trás não cabe mais como antigamente. O que cabe é uma outra forma de interpretação.
        Ter visto as luzes da Provence se desfazendo enquanto a estrada passava voraz aos nossos olhos atônitos foi o que me comoveu. Foi como acordar aos poucos sem querer ter acordado. Foi como reter para além do entendimento o que vivi. Um dia como nenhum outro. E eu, que desejei viver um momento que fosse naquele lugar...
     Quem disse que os momentos passam, estava errado. Aqueles momentos na Provence jamais passarão. A dimensão e a largura do tempo por quem ali trafegou são outras. A estrada que percorri não terminou dentro de mim. Ela se prolonga para que eu não me esqueça que os sonhos também podem ter cheiro de lavanda. E os poemas, mais doçura quando vividos tão de perto.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

VIÑA DEL MAR, CHILE - LA CIUDAD JARDÍN

        Capital turística do Chile, Viña del Mar é tão graciosa quanto o nome e tão intensamente interessante quanto o apelido que lhe atribuem: "Cidade Jardim". Distante apenas 9Km de Valparaíso e banhada pelo Oceano Pacífico, a cidadezinha é um charme à beira-mar, destacadamente diferente de sua vizinha. Quem conhece Valparaíso em visita de um dia vindo de Santiago, deve passar e parar em Viña del Mar... E perceber que poderia ficar mais, muito mais do que o planejado. Viña é mesmo convidativa.
         É por isso que no verão os turistas aproveitam o clima de balneário para se jogar ao mar, que não tem lá temperaturas tão agradáveis para uma cidade praiana, mas é uma beleza mesmo assim. No inverno, as temperaturas são mesmo baixas e desencorajadoras. Foi quando eu a conheci. Mas mesmo assim, o charme fica por conta da paisagem, pela pintura do sol de fim de tarde nos contornos das curvas e voltas que o mar lhe dá.

Playa Miramar

Fim de tarde em Viña del Mar

Pelicanos em Viña del Mar

Pôr-do-sol em Playa Caleta Abarca
         A cidade foi fundada através da fusão de duas fazendas (Las Siete Hermanas e Viña del Mar - nome este por conta de seus vinhedos) e eram ambas antes divididas pelo rio Marga Marga. O engenheiro e político José Vergara, dono das duas fazendas, fundou a cidade no ano de 1878 através de decreto obtido junto ao governo. Depois do terremoto que assolou Valparaíso em 1906, muitas famílias abastadas se mudaram para a cidade e fizeram dela não somente o seu porto de verão, mas um local para passar a vida toda.
        Há muitas atrações na cidade, mas o pouco tempo que eu tinha não me permitiram ir muito longe. Há praias em todo o entorno, como La Playa Reñaca, distante uns 5Km do centro, com a melhor infra-estrutura da região. Seus prédios foram construídos em formato de degrau e é o local mais badalado do balneário. Há praias pequenas próximas ao centro, como la Playa Caleta Abarca e a Playa Miramar, próximas ao lindo Relógio de Flores, localizado na entrada da cidade para dar boas vindas aos turistas (construído para recepcionar os jogadores e torcedores da Copa do Mundo de Futebol de 1962).

Reloj de Flores

Playa Caleta Abarca

Fim de tarde

Colorido do sol de inverno no balneário

      A grande vista do dia foi proporcionada pelo sol tímido de inverno se escondendo por detrás do Castelo Wulff (Castillo Wulff), construído em 1906. A entrada no Castelo é gratuita, mas pelo horário de funcionamento (cheguei bem no fim da tarde), não pude entrar. Mas acredito que o lado de fora seja tão ou mais gratificante do que lá dentro. A visão das pedras naquele ponto da praia, as aves que fugiam do inverno mais rigoroso do sul, o fim de tarde acontecendo nas cores opacas do castelo e colorindo o mar, são daquelas imagens difíceis de serem borradas pelo tempo. Uma sensação sem igual... Impressão de se ter encontrado o lugar que tanto visitamos em nossos sonhos. Este foi o meu sentimento.

Castillo Wulff entre as rochas

Castillo Wulff

Natureza...
        Deste ponto se avista o rio mencionado e a Av. Peru, importante orla do balneário. Muitos prédios de cores pálidas dominam a paisagem, tão frios quanto o inverno daqueles plagas.

Orla de Viña
        Mas Viña del Mar tinha muito mais reservado do que eu pude buscar naquele dia. Ficou para trás o Casino de mesmo nome da cidade, o mais antigo do Chile. Também ficaram para trás alguns registros mais interessantes da Ponte Casino, que não me dei a chance de fazer. Incluo aí o Parque Vergara, o Museu Fonck (com Moais da Ilha de Páscoa) e muitos outros detalhes.

Rio em Viña del Mar
        Por isso mesmo pretendo um dia voltar para me alongar um pouco mais, talvez em areias mais quentes, em algum verão que eu decida mudar um pouco de ares. Nem que seja para não fazer nada disso, mas apenas me debruçar sobre o parapeito que circunda alguma orla, e ficar observando como é linda a obra-prima da natureza. Como Deus é perfecionista... Como o homem encaixou diante daquelas pedras, cujas águas contra elas se arremessam, um desenho atemporal de suas ideias...

Barquinhos de ilusão no mar infinito...
        Saí de lá com a certeza de que Viña del Mar é um esboço de vida leve, uma fenda no tempo para aqueles que só vivem acelerados. Pois se formos para lá com a alma afinada, ali o tempo não passa, apenas passeia.