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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

SOWETO, AFRICA DO SUL

      Se a África do Sul tem uma história bem complexa, que martelou muito em minha cabeça - grande parte dela ficou a cargo de Soweto, bairro de cerca de 3 milhões de habitantes ao lado de Johannesburg.
Entrada de Soweto
      Local onde 99,99% da população é negra, Soweto foi o berço de Nelson Mandela e das reuniões revoltosas para desbancar o Apartheid. Em uma só rua - Villakazi Street - moraram 2 Prêmios Nobels da Paz: o próprio Mandela e Desmond Tutu. A Igrejinha "Regina Mundi", visitada por Michelle Obama recentemente, foi o local onde os cabeças para o fim da discriminação racial se encontravam.
Regina Mundi, a Igreja das reuniões de Mandela
      Os negros foram mandados para Soweto em casas muito simples para que os brancos dominassem Johannesburg sozinhos. De tanto serem perseguidos e tratados como animais, fizeram fervilhar em um só local os rancores que impulsionariam seus atos. Bombas na cidade, terrorismo a qualquer hora, corações revoltados. O estopim da crise foi quando cerca de 400 crianças morreram em um massacre em uma escola de Soweto, onde morreu Hector Pietersen, carregado pelos braços em uma foto que correu o mundo e fez com que a ONU impusse pesadas sanções sobre o país em 1976.
Casinhas em Soweto e o Brasil no meio
     Soweto fez o mundo acordar para a injustiça do Apartheid. Demorou, mas Mandela saiu da prisão no início da década de 90, após sofrer em uma ilha por anos e anos. Em 1994, tornou-se Presidente. Soweto foi também palco do Estádio de Soccer City na Copa de 2010. O futebol é preferido pelos negros do país. O rugby, pelos brancos. Pois é, a ferida ainda é recente para que concordassem em tudo.
Soccer City - Estádio Copa 2010
    O fato é que Soweto não amedronta como disseram. São só pessoas normais vivendo suas vidas.
   

JOHANNESBURG, ÁFRICA DO SUL

      Os próprios sul-africanos nos confessaram que após alguns vislumbres do despreparo para o turismo em massa em meio ao maior evento que o país já sediou, a África do Sul viu seu número de visitantes despencar de 2010 para 2011. Devo concordar em alguns pontos, já que a segurança não é o forte deles. O despreparo em outros itens fundamentais para receber tanta gente também me deixou intrigada.
Hotel Sunny Side - estilo Vitoriano
      A maior cidade da África do Sul - Johannesburg - não oferece transporte público como metrô ou simplesmente táxis. O que eles chamam de "táxi" é meio que um transporte coletivo, feito em vans. Se o turista quiser conforto para se locomover, deve contratar no próprio Hotel um serviço para isso com uma agência que disponibiliza um guia - que não é nada barato. Não sei dizer como foi na época da Copa do Mundo, mas para mim foi exatamente assim. Os Shoppings ficam abertos até às 18h, e as praças de alimentação, até às 20h. Ou seja, ficamos presos ao Hotel em estilo vitoriano - maravilhoso, por sinal - com um clima de antigamente, com músicas orquestradas de antigamente, que mais faziam o Hotel, que foi uma mansão de famílias da mineração há mais de um século, parecer uma casa mal assombrada.
Hotel em Johannesburg
       Acabamos curtindo o clima, já que a diversão lá fora não era algo tão simples. E estava muito frio!  Mas saímos sim de carro para conhecermos Sowetto, e acabamos conhecendo os arredores. Johannesburg, apesar de ter nos assustado um pouco - é uma cidade linda, com bairros caros e casas espetaculares. É uma cidade bem nova, que cresceu em torno das riquezas das minas da Região. Passamos em frente à atual casa de Nelson Mandela e de sua Fundação. Para mim, foi uma honra estar tão pertinho da História e tirar minhas próprias conclusões sobre tudo. Pois a melhor história é a que contamos a nós mesmos. A nossa visão sobre o mundo não precisa ser exatamente como o mundo nos conta.
Vista do alto de Johannesburg

Centro de Johannesburg
    Apesar do que dizem, eu estava no coração da África. E o Brasil nem é aquelas coisas de tão seguro para que eu me espante tanto assim...  Apenas espero que 2014 não traga os efeitos danosos que causou na África. A África focada nos turistas - a África dos Safáris - está bem distante da África dos grandes centros. Talvez até um pouco injustiçada, apesar dos pesares, a África do Sul vale e muito uma visita. Foi uma pena não ter dado tempo de irmos para Cape Town. Aí sim creio que teríamos tido uma outra impressão.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

PRETÓRIA, CAPITAL DA ÁFRICA DO SUL

           Capital administrativa da África do Sul, Pretória surpreendeu por revelar uma faceta daquele país que estava escondida dos turistas, boquiabertos com a beleza da África dos Safáris. O fato é que a história aqui é outra. Ou melhor, a história aqui apenas fica menos obscura. Mais às claras, pude ver transitar à minha frente um país ainda dividido pelas lembranças do apartheid. Ninguém admite. É como se cochichassem pelos cantos, com se os lados outrora opostos colocassem intrinsecamente a culpa no outro.
           Não é fácil entender de primeira a história do país. Por ficar na "esquina" do mundo, do descobrimento, das explorações na época das grandes navegações, a África teve muitos interessados em dominar as suas terras. Os holandeses foram os mais presentes, seguidos dos ingleses. Mas o fato é que as novas gerações que na África nasceram não faziam parte do país de onde seus avós partiram. Eles eram a nova nação sul-africana, com amor pela pátria onde haviam nascido.Obviamente, acabaram se confrontando com séculos de tradição de tribos locais, com seus próprios idiomas e dialetos. Uma disputa de dominação que perdura nas entrelinhas.

Jardins de Pretória
       Tantos povos em um mesmo local que resultou em um país com 11 línguas oficiais (e coloque inglês difícil nisso!!!). O "africanês", língua oficial da África do Sul falada pelos brancos que aqui criaram raízes, acabou gerando um conflito sem precedentes na década de 70, quando imposta nas escolas. Em 1976, houve um massacre em Soweto, onde cerca de 400 crianças negras que se recusavam a tê-la como primeira língua oficial ensinada nas escolas foram mortas pelos policiais, fazendo com que a ONU impusesse pesadas sanções comerciais ao país.

Praça com Estátua de Paul Kruger, importante Presidente
            Depois que os negros assumiram novamente o governo com Nelson Mandela, no início da década de 90, os brancos dizem que o país perdeu um pouco o controle de suas fronteiras e muitos povos de países miseráveis do continente estão vindo para o país. Isso fez aumentar a violência e o desemprego. Para os brancos, que hoje são a minoria, vale a pena ir embora de sua nação para tentar a vida em outro lugar, pois foram criadas leis que protegem os empregos para os negros. Ir embora da própria nação, sentir-se sem pátria, não deve ser muito fácil. Por outro lado, ter sofrido o que os negros sofreram... pudera! Por isso Nelson Mandela é venerado pelos negros que se libertaram da humilhação de serem tratados como escravos de seu próprio país, de sua cor, como se a cor pudesse mudar o seu caráter. Por isso eu digo que, apesar de todos os problemas, às vezes é bom ser brasileiro. Mas só às vezes. 
Arquitetura européia
Sede do Governo, Union Building
             Enfim, ressentimentos à parte, a cidade é muita bonita, não fosse o perigo de assalto que ronda os turistas. O encantamento com que fui invadida pelo país nos primeiros dias acabou esmorecendo aos poucos, mas não de todo, quando vi que um país tão lindo ainda está dividido pelos seus próprios rancores. O turismo de fato caiu no país após a Copa de 2010. As cidades são lindas, há história em todo o canto, essa história que se faz de velha, mas está presente em todo o lugar. O fantástico Union Building, sede do Governo, poderia até parecer fazer parte da Europa... mas estávamos na África... uma África que nem sonhava tentar decifrar.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

PILANNESBERG RESERVE, ÁFRICA DO SUL

          África do Sul maravilha! O país do inconcebível apartheid, tão dividido... Em preto e branco, suas imagens do passado são hoje sombra, nuvem espessa ainda encobrindo a história tão recente. Há um clima no ar. Alguns ressentimentos espalhados em uma nação que se refaz ainda podem ser sentidos. Mas se perderão na mão do tempo, nos ventos de paz que revoam por entre os anos e ameaçam dissipar a espessa nuvem. Eu pude ver uma África multicolorida. O passado colore as histórias do imaginário dos turistas, que se encantam com o vermelho, o verde, o alaranjado do país das minas, das savanas, dos animais livres, das pessoas livres, outrora escravizadas no ideário de sua própria nação.
        Depois de nos encantarmos com Sun City, fomos de fato conhecer a África que os turistas mais sonham: a África dos Safáris. Chegamos ao Sheeperds Tree Game Lodge (Sheeperds é uma árvore típica da região), bem no meio da reserva de animais de Pillanesberg, com 60 mil m2, e fomos pegos de surpresa: em um primeiro momento não imaginávamos a exclusividade do Lodge: ele teve como primeiros hóspedes a Seleção de Futebol de Portugal durante a Copa de 2010. O hotel aos poucos revela sua delicadeza. Estar ali, no meio de uma reserva de animais, no verdadeiro silêncio da África, é algo muito peculiar.

Cratera do extinto vulcão em Pilannesberg

Muito frio no fim da tarde
          Fomos recepcionados com coquetel e música, tínhamos um quarto retirado das áreas comuns com uma cama gigantesca e vista para a reserva, e podíamos ser levados até lá de carrinho de golfe. O restaurante era daqueles com chefs premiados e não havia nada a fazer lá a não ser relaxar, comer e esperar a hora do Safári, que fazíamos no por do sol e ao amanhecer. Isso mesmo: antes das 6h da manhã, em um frio de 0 grau, íamos nós em busca de leões.

Sheeperds Tree Game Lodge, Pilannesberg

Safari na África do Sul, Pilannesberg

Família de Elefantes, Pilannesberg
       Em um verdadeiro jogo de caça (saudável), é uma sensação de vitória ou fracasso ficar em busca dos animais. Estivemos cara a cara com leões, elefantes, javalis, girafas, gnus, impalas e muitos outros.  A África rendeu muitas histórias divertidas. Não há como ir embora daquele jogo sem se sentir um pouco Indiana Jones! Mas bom mesmo era aproveitar o chocolate quente e as comidinhas que o nosso Ranger preparava no topo da montanha, com a cratera do vulcão extinto há milhares de anos aos nossos pés. E ele dizia: "Isso é África". Uma África de muitos tons de verde, vermelho, amarelo... Suaves tons inesquecíveis para mim.
    

domingo, 9 de outubro de 2011

SUN CITY, ÁFRICA DO SUL

      Depois de retornarmos de Hong Kong, ao invés de seguirmos viagem com o restante do grupo, paramos na África do Sul e nos permitimos passar 5 dias maravilhosos bem no meio do caminho entre nossa casa e a China!   
      A África do Sul é mesmo colorida, vermelha ou apenas sequinha, como as cores que aquele inverno pálido impuseram às savanas. Mas há tantas cores nas entrelinhas desta tonalidade suave, que é impossível não se apaixonar. Estivemos no lugar talvez mais suntuoso de toda a África do Sul: o complexo de Sun City, a 2h de carro de Johannesburgo.
     O "Palace of the Lost City" é o hotel mais luxuoso de todo o complexo, que conta com 4 Hotéis e muita diversão. Há de tudo lá: campo de golfe, animais e até uma praia artificial. O Cassino era a atração principal na década de 60, pois era o único local permitido para a prática de jogos de azar no país.
     Levamos um dia e meio para percorrermos boa parte do local, mas se estivesse calor, juro que eu ia querer ficar mais. Não tinha como não pensar nos meus filhos, pois além de Sun City ser a cara da diversão, eu já estava com muita saudade deles... afinal, já fazia quase 30 dias que estávamos longe!
Campo de Golfe de Sun City

Palace of The Lost City, Sun City

Caminho com elefantes em Sun City

Praia artificial, Sun City
      O inglês carregado de "rrrrrssss" daquele país e o grande preparo que eles têm para encantar os turistas me fizeram cair de amores pela África do Sul! Charme é a palavra de ordem para aquele lugar.